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domingo, 1 de julho de 2012

Síndrome do ninho vazio

Estávamos em Itanhaém, passando 2 dias na praia depois do Campus Party, quando ele olhou na internet e viu que havia passado na USP. Engenharia química. Era nosso último dia na praia, voltaríamos para Campo Grande, mas com esta notícia, tivemos que ir até Lorena para fazer a matrícula dele. Depois da euforia de passar em uma USP, veio o desespero. Meu filho caçula iria sair de casa e morar há mais de 1.200 km longe de casa. Eu pensava em como seria... se ele tivesse uma febre, ficasse doente, enfim. Quem cuidaria do meu filho de 17 anos, que nunca havia saído de casa, um menino que eu não havia preparado para ir para o mundo, ainda...

Foi conversando com a minha sobrinha mais velha que ela deu a ideia da pensão e foi com esta ideia na cabeça que cheguei em Lorena. Entre uma conversa e outra, nos indicaram uma pensão. Fomos até lá e de cara já gostei da mulher que tomava conta. Meu filho então não ficaria tão desamparado, teria um teto na companhia de 7 outros garotos com o mesmo objetivo que ele, e a Cecília parecia uma mãezona. Assim, meu caçula saiu de casa, deixando um vazio enorme em nossa casa. 

Em menos de 6 meses depois a minha sobrinha, que mora comigo desde os 12 anos (hoje com 23) também resolveu sair de casa e ir morar sozinha. "Não é necessário", eu tentei fazê-la mudar de ideia, "afinal de contas você vai ter tantas despesas desnecessárias. Compra um carro, primeiro, faz sua vida, depois você sai de casa, mais estruturada." Não teve jeito, ela se foi... Quando o guarda-roupas foi esvaziado, eu senti um vazio tão grande, que não imaginava que sentiria. E a casa foi ficando grande. 

Apenas eu, meu marido e meu filho mais velho, que passa mais tempo na casa da namorada e na rua, em festas, assistindo jogos de futebol na sede do grêmio ou na casa do sogro, da sogra, enfim... em casa passa pouco tempo. Ficamos totalmente perdidos, esperando que eles voltem, quando sabemos que isso é pouco provável. O Evanderson, ao sair da USP certamente já estará com um bom emprego e de lá vai para outros lugares, a Dayane deve se casar, assim como o Adriano. E nosso ninho ficará vazio.

Hoje estava conversando sobre o assunto. Quando os filhos nascem, nossa vida muda radicalmente. Ficamos totalmente perdidos. Depois, nossa vida se transforma e a gente vive para os filhos. Entretenimento, viagens, casa, compras... tudo é em função das crianças e assim acontece por muitos, muitos anos. Quando eles começam a sair de casa, novamente a gente não sabe o que fazer, uma vez que já não sabemos mais viver para a gente. Estou nesta fase, me sentindo vazia e sozinha. 

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